quarta-feira, maio 03, 2006

vida ...


o dia chegou puro.
os olhares falavam num silêncio
onde as palavras tinham todas um nome
e a eternidade se fechava sobre um corpo
parado nas águas, entre os espaços
para assistirem ao nascimento das árvores

o grito do verão ressoava entre formas mudas,
delicadas, impregnadas de delírios imaginários.
alguém parte o silêncio e o transforma
em sons vergados, sensíveis às palavras vivas,
atrás fica uma vida, remexida desabaladamente
numa leveza, estrangulada entre dedos

olhares bailam enfeitiçados sobre as áscuas...

murmuram ao longe, frases ríspidas e frias
o vento arrasta soprando as vozes em pedaços,
agarrando a vida, que deseja invencível
lento, leve e moroso deixa respirar o dia.
mergulha na alegria suplicante da voz
onde ardem, na alma, chamas de desejo
assumido num jogo de amor único

escapa-se o pensamento, afunda-se
dentro da paixão voraz,
espelhada no sorriso dum peito aberto
o fio liga a veia, no abraço da morte
triunfante, a festa tornou-se imortal,
sufoca de júbilo,
entre palavras que passam a correr

o momento, amadurece na terra
cativo do nome que persegue...


l.maltez

domingo, abril 23, 2006

o meu carinho a todos vós



tentei comentar um a um,
fui ler-vos, mas não consegui comentar todos, as forças faltaram...
o que escrevem sempre me tocou muito, continuo a ficar emocionada com tanta beleza que encontro em cada cantinho vosso, onde vos sinto, muito perto de mim
lamento não poder ir a cada blog agradecer, pessoalmente, todo o carinho que aqui recebi de cada um, mas as forças são poucas e o “fio” que me prende à vida precisa de se soldar, espero que a outra “voz” seja menos forte que eu, pois quero voltar brevemente

continuo com o meu cheiro a maresia que deixo a cada um, esperando em breve ir a cada um retribuir todo o carinho e força que me têm dado

até lá beijinhos muitos a todos num abraço cheio de carinho

l.maltez

segunda-feira, abril 17, 2006

uma pausa...



Vou tentar afastar-me do blog, digo-o com mágoa, ou mesmo com dor,
há vozes mais altas que se levantam e me fazem pensar se vale a pena continuar,
não vou desiludida, vou porque preciso fazer uma pausa
afastar-me-ei não sei por quanto tempo, penso voltar, pelo menos é esse o meu objectivo, voltar...
voltar a ter forças para o conseguir fazer e acreditar que valeu todo este carinho que lhe dediquei e todo o carinho e admiração que tenho por cada um de vós que me têm lido e acompanhado
a todos quantos me comentaram e comentam, fica o meu eterno agradecimento. vou continuar a ler-vos, não tanto como desejava, vai ser uma "luta" que vou travar para o conseguir. mesmo que não comente, estarei presente no meu silêncio, já não sei passar sem vos ler e sentir-me a beber cada silaba que escrevem

pode ser que as forças voltem, que recupere bem e seja mesmo até um dia...

se assim não for é porque a voz foi mais forte que eu ...

fica para todos o meu cheiro a maresia e o aroma desta rosa especial para mim...



a voz foi dor, na noite diluída
aviso sem palavras, em visões
foi sentida no despertar do corpo
a voz, chegou sem passos gravados

por ser voz chamou-me

e fui...


l.maltez



quarta-feira, abril 12, 2006

ouvi a voz...


abracei a manhã e ouvi a voz
trazia a ternura de um abraço,
o sorriso aberto, de um olhar
numa inesgotável sede de me ver,

fixei-a,na rebentação duma onda
entre os cantares dos pássaros
e a brisa fresca que acaricia,
senti-a misteriosa, na doce penetração
do dia que começava a rasgar

devagar as cores saltaram na manhã
murmurei o teu nome,
como se o quisesse desenhar
ali, naquele azul, onde escuto o silêncio
e onde se abriram portas

parti a solidão, fui contra o tempo
sei que vou ver-te,
estico os braços para além de mim
enquanto escuto no secreto momento,
de descobrir a tua imagem
na mesma luz de uma manhã,

hoje, sei o que é [a]mar...


l.maltez

sexta-feira, abril 07, 2006

a chave ...


A vontade nasceu, num dia de Abril, esperou impaciente as horas surdas. soou por instantes, no cair da tarde, num espaço diminuto, onde nada decorre ou permanece. nenhuma voz em espera. mas a vontade traz consigo a altivez, incisa por si, junto às cordas vocais, na tortura do silêncio.
não quis partir, estava estranha, sussurrava como se quisesse abandonar os estranhos sonhos. deixou-se escorregar como um fantasma itinerante, atravessou caminhos sem imagens, numa sede tormentosa de músicas envolventes.
inventou um tempo e por o ter inventado perdeu o sentido das miragens dos dias e o canto sublime dos pássaros.


a noite essa chegou, viva, cheia de luz, tentou juntar-se à vontade, levantou os braços e acenou firmemente cintilante, nada aconteceu, deixou-se fustigar pelo vento lesante. a cidade espreitou nua e fria, sentiu o cerne da vida que corrói a alma. tentou ouvir o eco surdo do mar, tentou imaginar o sono, procurou a cada passo os gestos sumidos de um corpo sem sabor, insalubre e lânguido onde pudesse fundar-se.
esperou a chuva, delirante de certezas, arrefecida, com sabor atiço. devorou palavras sem saliva, imobilizada no pressentimento afogado da vontade. o tempo não existia já em lugar algum, faltava a coragem para se invadir de uma febril paixão, suportar a ideia do vazio e tentar o regresso.


a coragem espezinhada, desfeita, entre zumbidos, transporta a vontade entre visões e deixa o corpo sequioso preso na chave de amar...


l.maltez

quinta-feira, março 30, 2006

acordar...


acordar vazia
na brancura da imagem,
inventar desejos
nos caminhos, onde se cruzam
as vozes esquecidas,
imóvel, o futuro despe-se
e nem a música quebra o silêncio
das palavras invisíveis

restos de sonhos conduzem
ao grito do teu nome, adormecido,
não haverá mais noites,
a linguagem, mistura-se venenosa
à fantástica terapia
da alma intensa,
doloroso sémen da vida
no prazer do espírito

e as horas passam
sem serem de ninguém...


l.maltez

sexta-feira, março 24, 2006

entrada da primavera...



acordei perplexa
como quem retém
a esperança no olhar
mesmo na margem
aparente do dia
envolvi-me no perfume
da madrugada difusa
e matizada de serenidade

anónima esperei por ti
na entrada da primavera,
e passo a passo
sei que chegas
pontualmente engalanada
exuberante de colorações

retorna o encanto
ressoa a imaginação
resiste assim a eternidade

as horas flúem pelo dia
com o cântico dos pássaros

deixo-te que abarques
este coração
que te aninhes nas recordações
onde a beleza se fixa
onde as paisagens são
horizontes emocionais.

abrigo no corpo o desejo...
emanado de ti
como uma sombra qualquer


l.maltez

sábado, março 18, 2006

cartas...



numa vontade de te ver
na vulgar noite vazia
onde espero sentada sem sono
vejo o papel, olhar para mim
o mesmo que tantas vezes enviei
como a pedir-me, para te escrever

num entreabrir dos meus olhos
onde escorriam lágrimas
de saudade,
deixo arrastar comigo o desejo
de sede de ti, no deambular deste silêncio

procuro cartas que outrora escrevi,
cartas onde o nosso amor
esteve sempre presente,
tal como hoje,
apesar de distantes
onde a saudade tinha sempre o nosso nome

escrevi-te de novo
para te enviar a minha mão,
entregar meus lábios
dizer-te que o nosso amor ainda perdura
e me sinto de novo especial,
nesta carta que só tu percebes

e nasceu a carta, mesmo sabendo
que pode ser imaginária…

l.maltez

quinta-feira, março 16, 2006

M A N I A S . . .

A Menina Marota pregou-me uma partida “quer” que coloque as minhas manias, para ser julgada em praça pública

se alguém for juiz peço a pena leve, assim como uma pena de um passarito que adoro escutar todas as manhãs ao acordar

mas vamos às manias antes que o dia dê meia volta


sim sou pestinha e muito, devido à banda desenhada que ainda hoje leio e detesto ter que responder a questionários

vou ordenar as tais manias

1ª - tendo a mania de ir ver todos os dias o mar, tenho que o ir ver seja dia ou noite, faça sol ou chuva, sou dependente dele, ou ele de mim, não sei bem...




2ª - durmo de luz acesa, não gozem, mas é verdade, detesto acordar de noite e sentir que o quarto está às escuras

3ª - adoro colecionar esferográficas, de várias cores, gosto de usar cores em tudo, defeito de escola certamente


4ª- gosto de conduzir e muito, se nenhum policia ler, eu digo que algumas vezes tenho o “pé pesado” no acelerador, a velocidade sempre me apaixonou

xiiiii falta a última ainda bem, antes que vá presa

5ª - sou viciada em blogs, leio visito “n” blogs por dia mesmo que não comente, porque adoro ler a diversidade que muitos têm e são


ufa acabou

agora a quem passar? é a pior parte, vai ser a todos os que se dignem desvendar um pouco, de si mesmo que como eu o detestem, vamos lá ver a coragem...


Menina Marota, já está e pela tua simpatia e porque gosto de ti e do teu cantinho, respondi, se algo me acontecer tens que me socorrer, porque eu grito por ti, eu tenho mais mas só pediste cinco, eu sou realmente “pestinha”

e para não ficar às escuras prendi a luz:

sexta-feira, março 10, 2006

saudade...



lapidei sentimentos
que tocaram ao som de Vivaldi

perfurei memórias maltratadas
onde os olhares se moveram

desordenei trémula as emoções
que surgiam da brisa do mar

apressei a noite simulando utopias
onde ecoaram ironias amargas

pressenti o mar orgulhoso
sedento de um corpo etéreo

senti a dor turbulenta
encolhida no interior dos desejos

diluí o limite da mágoa
irrequieta nos passos defendidos

contornei errante a imagem
e vi-te chegar gasto de vícios

ávida abri-te a porta da madrugada
e em silêncio toquei-te de paixão

embarcamos juntos no enlouquecido desejo
onde a saudade tinha o teu nome

e cai a noite sob a nudez de dois corpos...

l.maltez

sábado, março 04, 2006

silenciosa...



profundamente silenciosa
de gestos visíveis,
condenados à insolência
e desconhecimento do tempo
subitamente, recuei
onde amarrei a vida
inacessível

cantei tristezas
pelas ruas mudas de testemunhas
onde a possibilidade de morrer
me chamava em cada esquina,
cansada de tanto, ter abandonado à solidão
a quem suplicava oscilante de desejos
o sabor do meu corpo

esqueço-me de tudo
na certeza que tudo se apagará,
no momento da morte
de uma noite impregnada de vícios,
ardida em suicídios, do destino
onde a visão dos olhares se mordem
no rodopiar das ilusões

imóvel, invento sonhos
em palavras amarelecidas sem brilho...


l.maltez

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

um toque...


navegar na tua boca
húmida
de sabor a sal

impregnada
estremeço lírica
no terror dos arrepios

uso a manhã crispada,
renasço todos os dias
vestida de frio

avanço entre sombras andantes
antes de envelhecer
onde as palavras caminham

queria tremer
sentir furiosamente
um toque de uma boca ...

l.maltez

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

dou ...



dou-te o tudo e o nada!
a lonjura da minha
íngreme estrada,
as auroras
que há no mundo,
os solstícios e equinócios
meus sonhos
em horas d'ócio,
dou-te as argentinas pérolas
das chuvas de verão,
os cristais translúcidos
que nevam em meu coração,
as ondas dos mares do sul
dos meus desejos!

dou-te as brisas austrais
por entre beijos,
o verde das florestas
luxuriantes
palavras de mel,
mais reais que no papel,

se este for o preço
para pôr um sorriso em tua boca
então,
...meu amor, minha vida,
valerá a pena gritar teu nome
até ficar rouca!

valerá então amar-te como uma louca
porque viver sem ti
é coisa pouca...

l.maltez

sábado, fevereiro 18, 2006

teu olhar no meu...



toquei na noite,
desci em silêncio até ao mar,
numa aparência frágil de felicidade
senti o teu olhar, no meu
inquieto de incertezas,
vagueando sem limites
na sombra,
despejei palavras
que flutuaram no tempo,
palavras que se deixaram
arrastar pela corrente
como gemidos,
e caio contigo
num suave sonho
que persegue a solidão,
os teus olhos dão-me de novo um sinal,
sinto um murmúrio perto de mim
reconheço a tua voz
em músicas simuladas
e serenamente ambos
conseguimos dizer
amo-te ...

l.maltez

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

a imagem do inverno



cruzei-me contigo ontem no denso granizo da noite, a dureza do dia transformou secamente o rosto gasto dos silêncios das sombras. lembra-me o teu nome invernoso, negro e pesado, o vicio onde transformei as mãos amarelecidas e secas de tanto fomentar. não grites, já não te ouço, a tua voz é um eco delicioso eterno no silêncio das noites misturadas, a solidão é cega e fria.

falta-me o túnel do sono invencível. entras na companhia do vento inconcusso, um vento indiferente. os dias chegam ausentes, agasalhados nas asas de nuvens cinzentas, desarrumadas de imagens, ninguém corrompeu o sentimento do teu tempo e tu voltas sempre no mesmo dia à mesma hora.

guardo a imagem do sonho turbulento. o sonho que parece ser real, o ranger das portadas de madeira, o fragor dos vidros, onde escuto o crescer da maré, dobrado no arrepio ameaçador do inverno. a insistência em ficares envolvido nos tons cinzentos de olhar ameaçador, afogado nas águas estagnadas. guardo a solidão dos dias que trazes, sem tons, indecisos e repisados.

empurra-me deste frio que desanima e arrefece o corpo, deste inverno que me cansa.

l. maltez

sábado, fevereiro 04, 2006

imagina!



imagina a madrugada,
e
um céu sem estrelas
ou a noite fria sem luz

sim imagina,
a luz de um farol,
os olhos de alguém que amou

imagina o destino,
o que passou e não se cumpriu
a inesperada hora de felicidade
numa breve noite de amor

sim imagina,
a ternura dos apaixonados
abraçados na sombra esquecida,

imagina o frio,
ou o calor caminhando lado a lado,
uma porta que não se abriu
por uma vida que os separou

sim imagina,
a ausência de uma loucura
uma mão que te diz adeus,
aves que bailam a voar

imagina o silêncio,
a melodia de um instante
o tempo que nunca é longo

sim imagina,
que tu e eu seremos o imortal sentimento!


l.maltez

sábado, janeiro 28, 2006

pinto-me na tela ...




despi-me de mim
para me pintar mulher
não penso
para existir
no centro
da vida
e pinto-me na tela
com rosto de solidão

transbordo emoções
momentos escondidos,
nesta ilusão criada no coração

E se por algum motivo
os meus braços forem pequenos
para te abraçar
o mar e o teu sorriso
estarão comigo, tenho a certeza
na manhã que tarda
em acontecer...


l.maltez

sábado, janeiro 21, 2006

página em branco ...




parti o tempo
entre madrugadas

o meu sentir virei-o
para o mar
numa ânsia de partir

enchi noites de horror
e vidas amarguradas
entre melancolias
de paixões esquecidas

dei o dia
às palavras
que deslizaram no corpo
desfeitas em loucuras

cortei a veia
para sentir a emoção da dor
lentamente, dentro da solidão

espantei a lágrima
salgada que beijava a boca

escrevi azul
até acabar a tinta,
sentindo o vento
tocar nas feridas

deixei páginas brancas
para soletrar a vida

sem aviso ordenei idéias
e fechei os olhos...


l.maltez

sábado, janeiro 14, 2006

ilusão ...



vou construir uma cabana
para lá podermos morar
eu e tu...
... eu e tu, sem mais ninguém

...que venha depois o tempo
destruir a minha ilusão
da minha cabana isolada,
e venha o "mundo", também,
e que me peçam explicação
deste meu procedimento!

vou construir uma cabana
e dela fazer o refugio
de toda a minha poesia!
...e vai ficar isolada,
mas bem pertinho do mar
assim podemos escutar
o sussurro da maré,

vou construí-la!
tenho fé,
na minha cabana isolada

mas se tu não concordares
e esboçares uma ironia?

mesmo assim,
podes crer, eu irei
construir a minha cabana
e sozinha lá ficarei...
mesmo que tu não vás

...porém estarás comigo,
na sombra duma saudade
e num eco de amizade;
tua voz será a minha.
não é um sonho belo?!
pensa nisto e acredita,

vou construir uma cabana!

l.maltez

sexta-feira, janeiro 06, 2006

sede de ti...


vejo o teu rosto
no sorriso da água
e é inesgotável a sede
que sinto de te ver

esvazio o corpo,
num mar de palavras
limito-me sentir,
a brisa chegar em silêncio,
no início duma manhã
que nos abrace

o mundo não parou
e num breve olhar,
peço-te ajuda
para a minha decisão

já nada existe para além
de nós!

l.maltez